Especialistas apresentaram metodologias, experiências e soluções para fortalecer a prevenção de grandes acidentes e ampliar a proteção da sociedade.
A Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) promoveu, no dia 19 de agosto, mais uma edição do ANSP Café Live, desta vez dedicada ao tema “Métodos e Práticas de Gerenciamento de Riscos e Segurança Pró-Ativa Aplicadas às Catástrofes”. O encontro reuniu acadêmicos, especialistas e profissionais do mercado para discutir estratégias de prevenção de tragédias, gerenciamento de riscos e fortalecimento da resiliência diante de eventos climáticos extremos.
Na abertura, o Ac. Alfredo Chaia destacou a importância de aproximar a gestão de riscos, a segurança, o seguro e a responsabilidade civil para enfrentar os desafios relacionados aos eventos climáticos extremos e às catástrofes. Segundo ele, o objetivo da iniciativa é reunir diferentes perspectivas e apresentar ao mercado ferramentas que possam contribuir para a prevenção e a redução dos impactos desses eventos.
O evento foi dividido em três painéis. No primeiro, abordou-se a Metodologia da Engenharia de Segurança Pró-Ativa (ESP) aplicada à Prevenção de Tragédias, com mediação do Ac. Sergio L. Hoeflich e participação do Dr. Washington Barbosa, de Bruno Rafael Almeida Viana e do Dr. Ricardo Ferreira Mello.
Durante o painel, os especialistas apresentaram uma abordagem voltada à prevenção de grandes acidentes a partir da análise integrada de fatores humanos, tecnológicos e organizacionais. A proposta busca complementar métodos tradicionais de análise de acidentes, estruturando processos capazes de identificar sinais de alerta, antecipar situações de risco e estimular uma cultura de prevenção.
Tratou-se também da aplicação prática da metodologia em ambiente industrial. No estudo desenvolvido na Fiocruz, foram identificados riscos relacionados à infraestrutura, armazenamento de produtos perigosos, chuvas intensas, equipamentos e fluxos operacionais. A partir do diagnóstico, foram elaborados planos de ação envolvendo melhorias estruturais, sinalização, equipamentos, organização de layout, capacitação das equipes e monitoramento contínuo.
Um dos principais pontos destacados pelos participantes foi a necessidade de superar uma cultura baseada apenas na resposta após a ocorrência dos acidentes. A segurança pró-ativa propõe justamente antecipar riscos e transformar o aprendizado decorrente de grandes acidentes em medidas concretas de prevenção. A metodologia vem sendo desenvolvida a partir de pesquisa acadêmica, estudos de caso e experiências de aplicação, inclusive na formação de profissionais.
O segundo painel foi dedicado ao Sistema Integrado de Resiliência Climática (SIRC), com mediação do Ac. Sergio L. Hoeflich e participação de Marcos Vinicius Baldigen e Rubens Alves. Foi abordada a integração entre poder público, mercado de seguros e demais agentes envolvidos na prevenção e na resposta a eventos climáticos extremos.
A proposta apresentada considera a utilização integrada de instrumentos como seguros paramétricos, seguro garantia e estruturas de parceria entre os setores público e privado, buscando criar mecanismos de pronta resposta e recursos para a recuperação de infraestruturas e atendimento à população após eventos de grande impacto.
Ressaltou-se, ainda, a necessidade de se ampliar a cultura de prevenção no Brasil, especialmente diante da frequência e da intensidade crescente dos eventos climáticos extremos. Nesse contexto, o seguro foi apresentado não apenas como instrumento de transferência financeira de riscos, mas também como um possível aliado das políticas de prevenção, planejamento e resiliência.
No terceiro painel, “Apetite e tolerância aos riscos de catástrofes: limites e oportunidades”, o debate foi conduzido pelo Ac. Alfredo Chaia, com participação dos Ac. Pedro Guilherme Gonçalves de Souza, Giovanni Balen e Guadalupe Nascimento.
Os participantes discutiram os conceitos de apetite, tolerância e capacidade de risco, especialmente no contexto das seguradoras e das empresas e destacaram a necessidade de se estabelecer limites claros para a assunção de riscos e de se compreender a capacidade financeira das organizações para absorver eventuais perdas.
Outro ponto de destaque foi o chamado gap de proteção, evidenciado pela diferença entre as perdas econômicas provocadas por grandes eventos e os valores efetivamente protegidos por seguros. Os debatedores reforçaram a importância de se buscar novas soluções para ampliar a penetração do seguro e desenvolver mecanismos capazes de responder aos riscos climáticos e catastróficos.
Ao longo do encontro, também foi ressaltada a importância da aproximação entre universidade, Academia, mercado de seguros e poder público. A produção de conhecimento, o desenvolvimento de metodologias, a capacitação de profissionais e a realização de estudos de caso foram apontados como caminhos para fortalecer uma cultura de prevenção e contribuir para a redução dos impactos humanos, sociais e econômicos das catástrofes.
Para o Ac. Sergio L. Hoeflich, um dos coordenadores do encontro, a iniciativa representa uma oportunidade de aproximar metodologias desenvolvidas no ambiente acadêmico das necessidades concretas do mercado. A expectativa é ampliar a produção de conteúdo técnico, os estudos de caso e a formação de profissionais preparados para atuar na identificação e no gerenciamento de grandes riscos.
O ANSP Café Live foi coordenado pelos Ac. Ana Paula Costa, Sergio L. Hoeflich e Giovanni Balen.
Confira a íntegra do encontro no canal da ANSP no YouTube:
