“BRASIL PRECISA ACELERAR REFORMAS NA PREVIDÊNCIA”’ AFIRMA ECONOMISTA-CHEFE DO GRUPO ALLIANZ

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A exemplo das grandes reformas implementadas pelos países europeus na última década’ o Brasil deve priorizar ajustes na estrutura previdenciária a fim de evitar um colapso fiscal no futuro. A opinião é do economista-chefe do Grupo Allianz’ Michael Heise.  Um dos mais prestigiados economistas da Alemanha’ com passagens pelo governo e grandes bancos daquele país’ Heise esteve em São Paulo nesta quinta-feira’ 24.10′ para participar do Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas da Allianz’ cujo tema deste foi “Mudanças demográficas’ um problema mundial: como minimizar seus efeitos na economia”. 

Falando sobre o envelhecimento da população global’ Heise destacou que o Brasil continua como um dos países mais “generosos” na oferta de aposentadoria’ com uma taxa média de pensão equivalente a 85’9% do salário original’ contra 63’1% dos países da União Europeia’ 42% da Alemanha e 36’3% do Japão. Heise lembra’ contudo’ que em valores absolutos’ as aposentadorias da maioria da população brasileira não são altas’ com uma distorção de altos pagamentos para uma parcela pequena dos pensionistas.

O cenário é alarmante’ na opinião do economista’ considerando o ritmo acelerado da população brasileira’ que já se assemelha ao de países desenvolvidos. Hoje’ o contingente de pessoas acima dos 60 anos no Brasil é de 12%’ com uma projeção de ocupar 19% em 2030 e um terço do total de habitantes em 2050.

 

Verdades inconvenientes

“O Brasil precisa enfrentar algumas verdades inconvenientes. O bônus demográfico que durou cinco décadas deve desaparecer em apenas sete anos”’ afirma Heise’ destacando que em 2020′ o número de pessoas economicamente dependentes (menos de 15 ou mais de 65 anos) começará a crescer no país.

O economista-chefe da Allianz ressalta que’ a exemplo das reformas na Europa’ o país deve se preparar para um ciclo mais longo de trabalho da população’ com pensões mais baixas’ que devem ser compensadas com outros mecanismos de poupança’ como previdência privada. Do ponto de vista da competitividade’ Heise enfatiza a importância do investimento em educação’ aumentando a produtividade da mão de obra. Essa medida ajuda a compensar a queda em número absoluto de trabalhadores no mercado e o consequente peso econômico provocado pelo número menor de contribuintes em relação ao aumento de beneficiários da Previdência. 

 

Modelo Coreano

Presente ao Fórum’ André Portela’ especialista em Economia Social e Economia de Trabalho’ o Brasil precisa não só melhorar seus índices de produtividade’ como é necessário estimular a imigração qualificada. 

“Precisamos dar um salto de escolaridade similar ao que deu a Coreia para que a produtividade e o PIB médio per capita suba. Mais só isso não basta’ somos um país fechado para bens’ comércio e pessoas qualificadas. Temos mesmo imigrantes hoje do que em 1900”. 

Também participando do debate’ Marcelo Caetano’ economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)’ alerta para o perigo do envelhecimento no Brasil e América Latina’ que ocorre num ritmo muito mais intenso do que se passou na Europa. que o padrão de envelhecimento da América Latina é bastante distinto do que ocorreu na Europa’ o que traz o desafio do aumento de renda. “A Europa demorou quase meio século para dobrar a população idosa. Na América Latina’ o ritmo será muito mais rápido’ de cerca de 25 anos e ainda temos renda de país médio.”

Uma das soluções’ diz Caetano’ é criar uma nova estratégia de poupança interna. “Ampliar o nível de poupança’ melhorar infraestrutura e fazer reformas na previdência são pontos que precisam necessariamente ser tratados”’ comenta. 

 

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