CNseg projeta dois dígitos de crescimento dos seguros em 2021

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•  O aumento deve ser de até 14,1% em 2021 sobre 2020;

•  Arrecadação foi de R$ 303,4 bilhões e crescimento de 12,6% em 12 meses móveis até outubro de 2021, em relação a igual período de 2020;

• Desempenho histórico tem sido acima do PIB, mostrando a resiliência do setor de seguros.

A Confederação Nacional das Seguradoras – CNseg promoveu uma coletiva de imprensa, em ambiente virtual, para apresentar o balanço do setor segurador em 2021. A coletiva contou com a participação do Presidente da CNseg, Marcio Coriolano, e os Presidentes das quatro Federações que integram a Confederação: Antonio Trindade, da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg); Jorge Pohlmann Nasser, da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi); João Alceu Amoroso Lima, da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) e Marcelo Farinha, da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap). No encontro, a Confederação divulgou as projeções de crescimento para o setor segurador nacional para 2021 e 2022, cuja arrecadação atual representa 6,7% do PIB.

Veja a seguir os principais temas abordados:

DESEMPENHO DO SETOR

A CNseg avaliou que, sem considerar dados dos seguros saúde e DPVAT, o setor segurador deve fechar o ano com aumento de 14,1% sobre 2020 – em cenário otimista – e com crescimento de 9,4% em cenário pessimista.

O Presidente da CNseg, Marcio Coriolano, destacou os resultados do primeiro mês do quarto trimestre. “Os dados mais recentes, de outubro, sem considerar Saúde Suplementar e DPVAT, apontam arrecadação de R$ 303,4 bilhões, representando crescimento de 12,6% na variação em 12 meses móveis até outubro de 2021, sobre 2020”. Marcio Coriolano apresentou também números por segmentos de seguros:

• Danos e Responsabilidades – alta de 13,3% na comparação dos 12 meses móveis até outubro de 2021, em relação a igual período de 2020;

• Cobertura de Pessoas / Planos de Risco – evolução de 12,9% na comparação dos 12 meses móveis até outubro de 2021, em comparação com o mesmo período de 2020;

• Cobertura de Pessoas/ Planos de Acumulação – crescimento de 14% na comparação dos 12 meses móveis até outubro de 2021, sobre idêntico período de 2020;

• Capitalização – incremento de 3,5% na comparação dos 12 meses móveis até outubro de 2021, em relação à igual período de 2020;

• Saúde suplementar – alta de 7,1% nos quatro trimestres móveis findos no 3° trimestre.

O Presidente da CNseg ressaltou a reação forte do setor neste ano. Segundo ele, o setor “é muito sensível aos atributos da produção, emprego e renda”. E afirma: “É essencial um cenário macroeconômico de queda da inflação e redução da taxa de juros, que traga fôlego e renda para os consumidores. E destacou: “o crescimento real até outubro é o maior desde a década de 2010, com crescimento de 5% em termos reais. O desempenho histórico do setor de seguros tem sido consistentemente acima do PIB.”

A CNseg completou sete décadas em 2021. Atualmente, o setor segurador apresenta arrecadação anual que corresponde a aproximadamente 6,7% do PIB, gera mais de 175 mil empregos diretos e faz a gestão de investimentos equivalentes a cerca de R$ 1,3 trilhão, quase um quarto da dívida pública brasileira, o que o coloca entre os maiores investidores institucionais do país.

COMPORTAMENTO POSITIVO

Marcio Coriolano chamou a atenção para o comportamento positivo nas carteiras com maior participação no mercado, conforme detalhado no Editorial sobre os dados até outubro que compõe a nova edição da Conjuntura CNseg (n° 60), publicada periodicamente pela Confederação.

• Na variação outubro de 2021 versus outubro de 2020, o ramo Auto cresceu 5,6%, representando market share de 44% no segmento de Danos e Responsabilidades;

• O Rural avançou 21,5% (seu market share foi de 13% dos prêmios no segmento de Danos e Responsabilidades);

• Vida Risco, 13% de contribuição no segmento de Pessoas e alta de 17,8%;

• Patrimonial – Massificados, 13% de contribuição no segmento de Danos Responsabilidades e taxa de 1,1%;

• Habitacional, 6% de contribuição, e taxa de 13,2% no segmento de Danos e Responsabilidades;

• Transporte, 5% de contribuição e taxa de 8%.

A arrecadação acumulada em dez meses atingiu R$ 249,7 bilhões, alta de 13,5% sobre o mesmo período de 2020. Todos os ramos aumentaram a sua arrecadação nesse período de comparação, mostrando um dinamismo equilibrado entre os Segmentos de Danos e Responsabilidade e de Pessoas. Em Danos, acumula-se alta de 13,8% e, em Pessoas, a evolução dos prêmios é de 14,4%. Os títulos de Capitalização registraram alta de 5,9% no acumulado do ano até outubro.

OPEN INSURANCE

Marcio Coriolano identificou os desafios do Open Insurance, que entra em vigor em 15 de dezembro. O Presidente da CNseg afirma que o setor está muito engajado nas entregas regulatórias, ainda que extremamente pressionado pelo cronograma. “Não somos contrários ao Open Insurance, mas críticos ao cronograma e a persistência de indefinições de seu escopo, além da também indefinida atribuição das sociedades iniciadoras de serviços de seguros. O ineditismo dessa iniciativa é um complicador a mais. Sequer estamos tendo tempo de aprender com erros e acertos do Open Banking”, explica.

O dirigente avalia que o modelo é uma cópia do Open Banking, “mas os produtos são muito mais complexos e distribuídos por diversos canais; além disso, muitos deles passam por processo de renovação anual”. E ressalta: “Das mais de 80 empresas cuja participação no Open Insurance é facultativa, apenas duas assinaram o termo de adesão”. Para Coriolano, apesar da publicação recente da resolução que estabelece os requisitos para credenciamento das sociedades iniciadoras de serviços de seguros, ainda restam muitas dúvidas em relação ao seu papel no sistema, os custos que serão introduzidos na cadeia e sua relação com o corretor de seguros

 ASG

Marcio Coriolano informa que levantamento recente, realizado pela Global Federation of Insurance Associations (GFIA), indica que o setor segurador brasileiro é um dos mais adiantados nas questões ASG (ambiental, social e governança). “As questões ambientais têm a ver com os riscos seguráveis, que acabam caindo no bolso de quem compra”, afirma o Presidente da CNseg.

Já o Presidente FenSeg, Antonio Trindade, lembra que as conversas nos países do hemisfério norte também estão bem adiantadas, em razão dos impactos maiores das mudanças climáticas. “Muitas seguradoras com atuação internacional já não fazem seguros para empresas com ramo de atividade poluente.  Esse é um movimento que veio para ficar. O mercado de crédito de carbono deve dar um impulso a esse tipo de atividade, trazendo consequências positivas na preservação do meio ambiente”, prevê Trindade.

RESPOSTA NA PANDEMIA

O Presidente da FenaSaúde, João Alceu Amoroso Lima, assinala que o segmento de Saúde Suplementar acomodou gastos inesperados de R$ 26 bilhões desde o início da pandemia até o momento. Segundo ele, foram quase meio milhão de internações em virtude do coronavírus e cerca de seis milhões de exames para detectar o vírus.

Na avaliação do dirigente, a segunda onda foi a pior. “As operadoras e seguradoras de saúde estão solventes e fortes, sem deixar de atender os clientes dentro das bases contratadas”, afirma. E informa: “Desde junho de 2020, o seguro saúde teve adição de 1,9 milhão de vidas.”

O Presidente da FenaPrevi, Jorge Pohlmann Nasser, explica que as seguradoras integrantes da Federação atenderam, em caráter de exceção, a demanda pelo pagamento de indenizações por mortes ocasionadas pela Covid- 19, mesmo em contratos com cláusulas de exclusão para esse tipo de cobertura. “Para termos uma ideia do que isso representa, até o último mês de outubro, o total dessas indenizações já ultrapassou R$ 5,5 bilhões”, comenta o executivo.

O Presidente da FenaCap, Marcelo Farinha, avalia que o segmento de títulos de capitalização cumpriu o seu papel. “De janeiro a outubro deste ano, disponibilizamos para a sociedade R$ 17 bilhões. As famílias que fizeram suas reservas de poupanças, têm de volta agora esse valor para usar em momentos de dificuldades. A nossa indústria cumpre o papel de segunda camada da sociedade. A primeira é o Estado, mas aonde ele não chega, ali está o setor segurador para cumprir esse papel”, conclui.

SEGURO CIBERNÉTICO

Uma das novidades do ano foi o seguro de riscos cibernéticos, estimulado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e pelos ataques de hackers. Segundo o Presidente da FenSeg, Antonio Trindade, o mercado cresceu 165% nesse produto. “Ainda é pequeno em termos de faturamento, mas vislumbramos um enorme potencial nos próximos anos”, afirma.

Conjuntura CNseg 61 projeta cenários econômicos para 2022 e estimativas da arrecadação dos seguros

A economia brasileira poderá crescer até 1,5% no próximo ano ou, do contrário, ter queda de 0,5% no cenário negativo. As projeções constam no artigo da nova Conjuntura CNseg nº 61, publicação da Confederação Nacional das Seguradoras- CNseg. Três conjuntos de fatores poderão definir o movimento final da economia do País em 2022. O primeiro bloco diz respeito ao comportamento da economia mundial e riscos de a pandemia se agravar. O segundo tem relação com a trajetória da inflação brasileira e a resposta do Banco Central (via taxa Selic) à escalada dos preços. A terceira variável: a volatilidade e incertezas associadas à eleição presidencial de outubro. 

Segundo a análise, apesar das incertezas, um ano melhor em 2022 é esperado pela maioria dos analistas internacionais, ao avaliar a economia mundial. O cenário base mais positivo pressupõe uma retomada global ainda robusta e mais equilibrada no flanco da oferta e demanda, algo que contribuirá para a inflação permanecer mais comportada. Nem a retirada dos estímulos fiscais e monetários excepcionais deve arrefecer a trajetória positiva da economia global. O quadro, contudo, é mais delicado para os países emergentes. Tudo porque a retomada do ciclo de alta dos juros nas economias centrais afetará os fluxos de recursos internacionais endereçados aos emergentes, gerando impactos negativos, como desvalorizações cambiais e pressões inflacionárias. 

O Brasil, no ranking elaborado pela Bloomberg Economics, é o terceiro país emergente com maior vulnerabilidade nesse cenário projetado, superado apenas pela Argentina e pela Turquia. O entendimento dos especialistas é de que um novo repique da inflação trará desafios ainda maiores para essas economias controlá-las, afetando as expectativas de longo prazo.

Após enfrentar a chamada recessão técnica neste ano- dois trimestres de queda do PIB- o Brasil caminha para uma recuperação apenas parcial no ano das perdas ocorridas em 2020. Os reflexos disso avançam para o ano seguinte, dificultando uma recuperação mais vistosa, segundo a publicação.

O texto da Conjuntura CNseg afirma que, apesar do quadro inicialmente positivo da economia global no próximo ano, o risco de avanço da variante Ômicron e o comportamento da inflação mundial podem provocar desvios nas projeções dos indicadores globais e dos brasileiros.

Dois outros artigos – um de projeções das variáveis macroeconômicas e o comportamento da arrecadação do setor de seguros em 2022; outro, sobre a receita já realizada no ano- também estão disponíveis nesta edição da Conjuntura CNseg.

No texto sobre projeções da arrecadação do setor, é lembrado que 2022 passa a ser ainda mais desafiador, já que, além da incerteza trazida pela nova variante Ômicron, no Brasil, será um ano de eleições presidenciais, fato que acaba resultando em aumento da volatidade e adiamento de decisões de investimento. Razão pela qual a projeção para a atividade econômica para o ano foi revista para um intervalo entre -0,45% e 1,50% nos cenários pessimista e otimista, respectivamente, pela Superintendência de Estudos e Projetos da CNseg.

Nesse cenário, projeta-se um crescimento da arrecadação de seguros em 2022 entre 2,6% e 9% nos cenários pessimista e otimista, respectivamente. No segmento de Danos e Responsabilidades (sem DPVAT), a projeção de 2022 é de alta de prêmios entre 3,1% e 12,8%. No segmento de Cobertura de Pessoas, é esperado que os Planos de Riscos, em 2022, tenham uma evolução de receita de 5,1% a 9,2%. Para os Planos de Acumulação, a taxa previsão é de 1,6% e 5,2%. Nos Títulos de Capitalização, a projeção oscila de 1,4% a 15,8% no próximo ano. Para Saúde Suplementar, o crescimento projetado é de algo entre 5,2% e 12,2%.

Por fim, um artigo se dedica a avaliar o desempenho do setor no acumulado do ano, indicando as razões do crescimento, ainda heterogêneo, entre ramos e modalidades, os destaques nos segmentos de Danos e Responsabilidades e seguros de Pessoas. Anualizada até outubro, a receita do setor cresceu 12,6% e busca permanecer na casa de dois dígitos até o fechamento do ano, segundo a Conjuntura CNseg.

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