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Em treinamento inovador no setor, Allianz prepara corretores para novos riscos dos veículos elétricos nos condomínios

Evento reuniu cerca de 80 parceiros em São Paulo para discutir prevenção, instalação de carregadores e enquadramento de sinistros diante do avanço da mobilidade elétrica

A expansão dos veículos elétricos traz novas demandas aos condomínios, que passam a incorporar a recarga desses automóveis às garagens. Síndicos, administradoras, moradores e o setor de seguros precisam se preparar para lidar com essa realidade, que envolve desde responsabilidades e cuidados na instalação até a prevenção e gestão de riscos. Atenta a esse movimento, a Allianz foi a primeira seguradora do Brasil a promover um treinamento específico sobre o tema aos corretores, acompanhando o avanço da mobilidade elétrica no país. Realizada no escritório da companhia, em São Paulo, a capacitação reuniu cerca de 80 parceiros que atuam fortemente com o produto Condomínio para discutir os impactos desse mercado nos empreendimentos e no próprio segmento.

Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), de cada quatro carros vendidos no mundo em 2025, um foi elétrico. No Brasil, onde 1 milhão de veículos leves eletrificados já circulam nas ruas, a modalidade respondeu por mais de 20% dos emplacamentos de automóveis leves entre janeiro e agosto deste ano, sendo que, no exercício anterior, esse índice era de 7%. Ao passo que os veículos eletrificados avançam, crescem também os pontos de recarga. Ainda de acordo com a ABVE, o Brasil chegou a 29,8 mil pontos públicos e semipúblicos em agosto de 2026, alta de 76,9% em relação ao mesmo mês de 2025. Desse total, 18,4 são voltados à recarga lenta, utilizados principalmente em locais de longa permanência, como condomínios residenciais e comerciais, escritórios e estacionamentos. O número de pontos deste tipo, especificamente, avançou 41,8% nos últimos 12 meses.

Para Veronica Gomes, diretora de Massificados da Allianz Seguros, com essa transformação, se faz necessária a integração entre diferentes áreas da companhia e uma atuação mais ampla diante das necessidades do consumidor. “Esse é um tema novo para o nosso segmento e precisamos trabalhar juntos para construir o melhor caminho. Queremos, cada vez mais, nos posicionar como uma seguradora que olha não apenas para o produto, mas para a questão como um todo, inclusive para onde e como essa proteção acontece”, afirmou.

Como enquadrar cada situação?

A relação entre prevenção e seguro foi um dos pontos altos da capacitação, considerando que um mesmo incêndio pode atingir diferentes patrimônios, como a estrutura do condomínio, o equipamento de recarga e veículos de terceiros. De acordo com Denis Severino, diretor de Sinistros Judiciais, Grandes Riscos e Massificados da seguradora, o enquadramento do sinistro depende da propriedade do bem, origem do evento e responsabilidades envolvidas, assim como das coberturas contratadas e condições da apólice.

“Quando o carregador é instalado pelo condomínio, por exemplo, o equipamento e a estrutura são analisados no âmbito do seguro Condomínio, enquanto danos a veículos de terceiros podem envolver a cobertura de Responsabilidade Civil, conforme a contratação. Já o veículo que originou o incêndio não tem amparo pela cobertura Patrimonial, devendo ser analisado no âmbito do seguro Auto”, explicou. Com a expansão dos veículos elétricos, o executivo enfatizou que os corretores precisam compreender como diferentes situações podem ser tratadas pelas apólices.

Justamente por isso que o diretor Regional São Paulo Capital da seguradora, Paulo Ayres, destacou a importância de levar conhecimento para que os corretores possam responder às novas demandas. “É importante abrir a nossa casa, ouvir esses profissionais e, principalmente, capacitá-los para um tema que hoje ainda gera muitas dúvidas. Reunimos as áreas de Produtos, Subscrição e Sinistro para ajudá-los a entender o cenário e levar a orientação correta ao cliente.”

A segurança começa antes da recarga

Para o treinamento, a Allianz também convidou dois especialistas que alertaram sobre os riscos relacionados às instalações improvisadas de carregadores elétricos. Os engenheiros Rafael Candido de Oliveira e Juan Schlosser frisaram que o tema não deve ser tratado como uma adaptação simples. Em prédios não projetados para esse tipo de consumo, é essencial avaliar a capacidade elétrica, o dimensionamento dos circuitos e, quando necessário, a gestão inteligente da carga e até mesmo o aumento da capacidade junto à distribuidora de energia. A recomendação é que a toda a infraestrutura seja projetada e executada por profissionais habilitados e em conformidade com as normas técnicas.

Além da instalação adequada, medidas de prevenção e monitoramento podem ajudar a reduzir os riscos e facilitar a identificação da origem de uma eventual falha. Entre as dicas apresentadas estão a instalação de câmeras em cada ponto de recarga, com enquadramento do carregador e do veículo; e o uso de monitoramento térmico, por meio de câmeras ou sensores capazes de identificar alterações de temperatura e emitir alertas antes do surgimento de chamas. Outro cuidado é a localização das vagas destinadas à recarga. Sempre que possível, elas devem ser posicionadas próximas ao acesso dos bombeiros e dos hidrantes, mas afastadas de rampas e rotas de fuga, e contar com sinalização adequada no piso.

A capacitação também destacou a importância de manter equipes preparadas para agir em uma eventual ocorrência, com procedimentos previamente definidos e treinamento de porteiros e zeladores para desligar e isolar o local, acionar o serviço de emergência pelo 193 e preservar as imagens que possam ajudar na investigação do incidente.

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