ANSP Fórum II debate desafios climáticos e reforça o papel estratégico do seguro no pós-COP30



No dia 06 de abril, a sede da Porto Seguro, em São Paulo, recebeu o ANSP Fórum II – ESG | Pós COP30. O evento foi gratuito e aberto ao público, reunindo especialistas, lideranças do setor de seguros e representantes de instituições estratégicas para discutir os impactos da agenda climática e os caminhos para a construção de uma economia mais resiliente.

O encontro se consolidou como um importante espaço de reflexão e troca de experiências, promovendo um debate qualificado sobre os desafios e oportunidades que emergem a partir das transformações climáticas globais e seu impacto direto no mercado segurador.

A abertura do evento contou com a participação de Patricia Chacon, CEO da Porto Seguro, que destacou a relevância do momento vivido pelo setor. Segundo ela, a agenda climática deixou de ser apenas uma pauta global para se tornar um compromisso concreto das empresas e da sociedade. Patricia ressaltou a importância da participação do mercado segurador na COP30, considerada um marco histórico, especialmente com a atuação na “Casa do Seguro”, espaço que promoveu discussões sobre inclusão securitária e o papel do setor na resiliência climática.

Durante sua fala, foram destacados três pontos centrais: o papel essencial do seguro na proteção das pessoas, especialmente diante de eventos climáticos extremos; a contribuição do setor na redução de emissões, por meio de produtos e soluções sustentáveis; e a importância do diálogo entre diferentes atores para avançar na agenda climática.

Na sequência, Edmur de Almeida, Presidente da ANSP, reforçou o papel da Academia como promotora do conhecimento e do debate qualificado. Ele destacou que o setor de seguros ocupa uma posição estratégica diante dos riscos climáticos, atuando diretamente na gestão e mitigação desses riscos. O fórum, segundo ele, foi concebido com o objetivo de transformar compromissos globais em ações concretas no país.

O primeiro painel, intitulado “Legado da COP30 e perspectivas para a COP31”, contou com a participação de Cláudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, Júlia Lins, diretora de Infraestrutura de Mercado e Supervisão de Conduta na SUSEP, e Rafaela Barreda, presidente da Fenaber, com mediação de Ana Paula Almeida, Acadêmica da ANSP. O debate trouxe uma análise aprofundada sobre os desdobramentos da COP30 e os caminhos para a COP31, destacando a evolução da agenda climática no Brasil e a necessidade de ampliar o protagonismo do setor segurador.

Entre os principais pontos discutidos, destacou-se a importância de aproximar bancos e seguradoras, posicionando o seguro como instrumento essencial de mitigação de riscos em projetos ligados à transição climática. Também foram apresentados modelos internacionais voltados a soluções baseadas na natureza (NBS), que podem ser adaptados ao contexto brasileiro, ampliando a oferta de produtos inovadores no mercado. Outro destaque foi a discussão sobre inclusão securitária, evidenciando que, apesar da relevância do crédito nos debates sobre inclusão financeira, o seguro ainda é pouco explorado nesse contexto, mesmo sendo um instrumento fundamental de proteção. Nesse sentido, foram abordadas iniciativas regulatórias, estudos acadêmicos e o desenvolvimento de soluções como seguros inclusivos, microseguros e produtos paramétricos, especialmente voltados ao setor rural e a pequenas propriedades.

Na sequência, o segundo painel, “Contabilização e mitigação de emissões (Case PCAF Brasil)”, reuniu Patrícia Coimbra, diretora de Gente & Cultura da Porto Seguro, Nathalia Pereira, coordenadora de Finanças Sustentáveis na WayCarbon, e Maria Taborda, da UNEP-FI, sob mediação de Rodrigo Favetta, diretor de Engajamento, Parcerias e Finanças do Pacto Global da ONU no Brasil. O painel abordou os desafios e avanços na mensuração das emissões no setor de seguros, especialmente no escopo 3, considerado um dos mais complexos.

Durante as discussões, foi ressaltado que o setor segurador ocupa uma posição estratégica na economia, não apenas como agente impactado pelas mudanças climáticas, mas como um dos protagonistas na transição para uma economia de baixo carbono. A mensuração das emissões foi apontada como etapa essencial para a construção de estratégias efetivas, ainda que envolva desafios metodológicos, grande volume de dados e a necessidade de engajamento de diversas áreas das organizações. Também foi destacado que, no setor financeiro, as emissões de escopo 3 podem ser significativamente superiores às emissões operacionais, o que reforça a importância de olhar para toda a cadeia de valor. Nesse contexto, o debate avançou para o papel da inovação em produtos, da precificação de riscos e da incorporação de critérios climáticos nas decisões estratégicas das seguradoras.

O terceiro painel, “Do risco à solução: inteligência climática para a gestão de riscos”, contou com a participação de Pedro Werneck, gerente de Sustentabilidade da CNseg, Vitor Boaventura, Acadêmico da ANSP e pesquisador em soluções para litígios climáticos, e Marjorie Leite, consultora de Clima & Sustentabilidade da Marsh Risk Consulting, com mediação da Acadêmica Simone Vizani, Diretora de ESG da ANSP. O painel trouxe uma abordagem prática sobre como transformar dados e riscos climáticos em soluções concretas.

Foram discutidas ferramentas de inteligência preditiva, modelagem de riscos e o uso de dados para antecipar eventos climáticos extremos, permitindo uma atuação mais preventiva por parte das seguradoras. Também foi abordado o papel do setor no apoio à priorização de investimentos públicos e privados, além do desenvolvimento de soluções que incentivem a adaptação e a mitigação de riscos. Outro ponto relevante foi o engajamento da cadeia de valor, incluindo clientes, corretores e parceiros, como parte fundamental da estratégia de transição climática.

O encerramento foi conduzido pelo Acadêmico Felipe Name, diretor de Cátedras da ANSP, que destacou o sucesso do evento e a relevância dos debates promovidos ao longo da tarde. Ele reforçou o papel da Academia como um espaço aberto à construção coletiva de conhecimento, reunindo diferentes áreas como direito, economia, atuária e gestão de riscos, e convidou os participantes a integrarem as cátedras da instituição, ampliando o diálogo e a produção técnica sobre os temas discutidos.

O evento foi finalizado com um momento de networking entre os participantes, fortalecendo conexões e incentivando a continuidade das discussões iniciadas no fórum.

Para quem não pôde acompanhar presencialmente, a íntegra do evento está disponível no YouTube pelo link:

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