Seguradoras adotam sensoriamento remoto por satélite para monitorar áreas agrícolas

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Produtores rurais em todas as regiões do Brasil contrataram mais de 193 mil apólices de seguro rural no ano passado, totalizando 13,7 milhões de hectares segurados – cerca de 21% da área total plantada no país, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O valor total segurado pelas apólices somou R$ 45,7 bilhões, um montante 108% maior, em comparação com 2019. Diante dos problemas climáticos cada vez mais severos, a indicação para o produtor rural é plantar com a proteção do seguro.

O sensoriamento remoto, via satélite, fornece dados para ajudar a minimizar os riscos de perdas nas culturas agrícolas. As análises auxiliam principalmente as seguradoras agrícolas, que aliam as informações mapeadas pelos satélites ao trabalho de campo para acompanhamento detalhado das áreas seguradas. “Diante do desafio da pandemia, que restringiu o trabalho de campo, a cobertura com dados de imagens de satélites tornou-se fundamental nas avaliações para a contratação do seguro agrícola e nos registros das intercorrências climáticas”, explica o engenheiro agrônomo e gerente comercial da Geosys Brasil, Gustavo Libardi.

Na reta final da safra verão 2020/2021, o Brasil deve colher cerca de 132 milhões de toneladas de soja. Na sequência, tem início o plantio do milho safrinha com estimativa de produção de quase 80 milhões de toneladas. Essas e outras culturas estão sujeitas aos mais diversos problemas climáticos ao longo das diferentes fases do ciclo das lavouras.

As análises das áreas plantadas feitas pela Geosys são integradas como componentes-chave do processo de subscrição, ou seja, no fechamento do contrato feito pelo produtor junto à seguradora agrícola. “Quando um produtor solicita o seguro, as análises são realizadas na propriedade para determinar o cumprimento das diretrizes relacionadas ao histórico de produção anterior à área agrícola e às exigências ambientais. Com as informações obtidas pelo sensoriamento remoto, mapeadas por satélites, as seguradoras agrícolas conseguem pré-aprovar certas coberturas sem a necessidade de uma visita presencial. Essa velocidade e precisão de dados têm sido fundamentais para o fechamento dos contratos de seguro rural. Além disso, a antecipação de fatores de risco às lavouras seguradas permite aos produtores rurais tomar decisões mais assertivas na condução da lavoura”, diz Libardi.

Na safra 2020/2021, o clima seco afetou a produção de soja no Rio Grande do Sul, reforçando a importância do seguro agrícola como importante instrumento de proteção contra perdas. “Conseguimos mapear desde grandes áreas até o metro quadrado. Acompanhamos diariamente a evolução das lavouras utilizando indicadores que apontam o vigor vegetativo das plantas, a umidade do solo e eventos climáticos. Essa análise pode ser feita dentro das limitações da área segurada, no entorno, em nível estadual, em todo o Brasil e outros países agrícolas em tempo real”, esclarece o gerente.

Outro ponto que deve ampliar ainda mais o alcance do uso da tecnologia dos dados gerados por satélite é o seguro paramétrico, que entrou em vigor em janeiro último, e ainda é uma novidade entre os produtores rurais. A modalidade utiliza índice pré-determinado no contrato como parâmetro na ocorrência de problemas climáticos. A cobertura da apólice é acionada caso o índice usado como parâmetro seja alcançado. Exemplo disso foi a seca registrada no sul do país. Se o índice de base estabelecido no acordo entre o produtor e a seguradora for atingido e excedido, o seguro pode ser acionado.

O Ministério da Agricultura regulou o seguro paramétrico com subvenção de 20% ao prêmio, para qualquer atividade, e deverá se tornar uma grande alternativa de proteção rural nas próximas safras, já que possibilita o produtor adotar uma cobertura para a área agrícola da maneira que for mais importante para suas lavouras.

Hoje, a Geosys Brasil monitora cerca de 20 milhões de hectares de áreas agrícolas no mundo e entrega aos clientes, diariamente, 200 mil mapas com dados de sensoriamento remoto gerados através do mapeamento de satélites.

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