Qual a desvalorização dos principais carros híbridos e elétricos no mercado de seminovos

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A notícia é neutra para quem possui um carro híbrido. Nem tanto para quem é proprietário de um elétrico. O mercado brasileiro de seminovos (2021, 2022 e 2023) aponta a desvalorização de 8,5%, em média, no último ano, considerando o período de agosto de 2022 e o mesmo mês deste ano.

Autotech do setor automotivo que mais cresceu em no 1º semestre de 2023 (aumento de 89% no faturamento) e um dos três maiores marketplaces de carros usados do país, a Mobiauto acaba de realizar uma pesquisa em sua base de dados que apura as cotações dos principais modelos eletrificados do mercado nacional. A lista inclui os 25 modelos híbridos ou 100% elétricos, ano /modelo 2021 e 2022, que tiveram maior volume de anúncios e acessos com interesse de compra.

A Mobiauto já havia desmistificado a “regra” do mercado brasileiro de seminovos que apontava para uma acentuada desvalorização dos importados de luxo. Como boa parte desses eletrificados está acima de R$ 200 mil, a tendência era que eles não fugissem da boa performance. E foi o que se viu com os híbridos: na média, os modelos perderam 8,78% no período pesquisado, praticamente um empate técnico frente à média do mercado global.

O economista Sant Clair de Castro Jr., consultor automotivo e CEO da Mobiauto, comenta o resultado. “Os carros híbridos estão absolutamente inseridos no dia a dia do mercado brasileiro. Maior prova disso é esse resultado de depreciação que repete o percentual do mercado total”, diz.

O executivo só adverte para o fato de a pesquisa ter sido feita com seminovos, que, inapelavelmente, estão no período de garantia. E prevê: “Esse resultado tende a se modificar nos próximos anos. No futuro, quando estiverem fora da garantia, esses carros 2021 e 2022 despertarão certo receio nos futuros compradores em razão do custo de manutenção. É só olhar para a estrutura de um carro híbrido: ele possui uma eletrônica extremamente complexa, que utiliza módulos para gerenciar a propulsão do motor a combustão, a elétrica e, ainda, como as duas atuam juntas. Isso pode sair caro lá na frente, motivo pelo qual arrisco dizer que os híbridos, quando estiverem mais velhos, tendem a perder mais”.

Veja (Tabela 1) como os híbridos se saíram na pesquisa da Mobiauto.

Já os elétricos puros não repetiram o êxito e desvalorizaram 16,28%. Sant Clair aposta em um movimento inverso. Devido à simplicidade de manutenção, esses carros, de acordo com o executivo, sustentarão as cotações quando forem mais velhos. “Hoje, o resultado ruim dos modelos 100% elétricos pode ser atribuído a dois fatores incontestáveis: o primeiro deles é o uso restrito, que, nos grandes centros urbanos, por exemplo, praticamente elimina moradores de edifícios mais antigos, que não possuem carregadores. Na prática, quero dizer que há muito menos consumidores prontos, digamos assim, para encarar um elétrico puro”, explica. “Quando a demanda é menor, o preço cai”.

O segundo motivo estaria relacionado à chegada recente de modelos chineses das marcas BYD e GWM, que balizaram o segmento de preços dos zero km, trazendo vários outros modelos para baixo. “Só que esse fenômeno é recente. Um JAC EJS1 zero km custa, hoje, cerca de R$ 25 mil a menos do que um ano atrás. A desvalorização mais pronunciada dos elétricos está relacionada a isso: o seminovo cai expressivamente… porque o zero km também diminuiu seu preço”, explica. Veja a lista completa (Tabela 2).

E quanto aos importados de alto luxo? Por que há modelos que ficaram bem abaixo da média, como Mercedes-Benz EQC e Porsche Taycan, enquanto outros tantos, caso do Audi e-tron, perderam quantias vultosas? Castro Jr. esclarece. “O segmento de elétricos de altíssimo luxo ainda está se formando no país. E pode exibir resultados bem variados, visto que não há uma base estatística ampla em número de veículos diferentes para se estabelecer uma média. Cada caso é um caso: o EQC perdeu pouco… porque o zero km subiu muito. Já o Taycan, pode-se dizer, chegou a ser o elétrico mais vendido do país em 2022, indicando ótima performance no mercado. Repito: a análise é modelo a modelo”, explica o executivo.

Tabela 1

Tabela 2

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